
Quando o silêncio vira castigo?
O tratamento do silêncio pode parecer uma resposta mais apropriada ao que chamamos de “sair por cima”, mas, de acordo com pesquisas, essa atitude é muito prejudicial tanto física como emocionalmente. O tratamento silencioso é uma forma essencialmente traiçoeira de abuso, uma vez que pode forçar a vítima a se reconciliar com o perpetrador em um esforço para finalizar o comportamento, mesmo que a vítima não saiba porque está se desculpando.
O abuso em um relacionamento se caracteriza quando um dos dois usa o próprio poder seja físico, emocional ou psicológico para controlar o outro. O agressor trata a vítima com desrespeito, desvalorizando seu jeito de ser, reduzindo sua autoconfiança. O que chama atenção é que isso nem sempre é feito de maneira direta. O abusador ignora a presença do outro, de todas as formas, podemos notar a recusa da comunicação como uma maneira perversa do abusador impor sua vontade, fazendo com que a vítima, em meio aquele vazio, se sinta culpada, mesmo sem compreender o motivo, já que o distanciamento é sempre desproporcional à causa da discussão.
Tal comportamento se torna cíclico, pois com a autoestima diminuída, a vítima tem dificuldade para identificar esta forma de violência oculta, principalmente quando, ao pedir desculpas, o parceiro a “recompensa” com demonstrações de carinho e promessas de mudanças de comportamento que, constantemente, são quebradas quando ele é novamente contrariado. É interessante ressaltar que todos os casais têm conflitos e, muitas vezes, um dos parceiros necessita de um tempo para pensar sobre o que aconteceu para, posteriormente, o casal conversar a respeito.
O que difere no relacionamento abusivo é que isso nunca é comunicado ao outro e o distanciamento emocional é praticado com frequência, numa simples demonstração de violência psicológica e que impossibilita a vitima de perceber a manipulação do outro, fazendo com que ela abandone sua individualidade. O silêncio nesse contexto é uma maneira de infligir dor, mas sem deixar as marcas físicas. Neste caso,vale reavaliar a importância da relação na sua vida e até buscar a ajuda de um psicólogo para navegar melhor por esse processo.
Clarissa Pinto
Psicóloga – CRP 13/3546
